segunda-feira, 20 de abril de 2026

sobre "teoria do não-objeto"

 

"Teoria do não-objeto", Ferreira Gullar


"[...] sem nome, o objeto é impenetrável, inabordável, clara e insuportavelmente exterior ao sujeito. O não-objeto não possui essa opacidade, e daí o seu nome: o não-objeto é transparente à percepção, no sentido de que se franqueia a ela."


Tudo começa com o impressionismo, quando Monet se preocupa em representar a luz natural e seus efeitos sobre o ambiente ao invés de representar objetos com precisão. Continua com o abstracionismo, quando Mondrian reduz o objeto a linhas e cores. Por fim, a obra sai da moldura e da base: se torna completa em si mesma, é o seu próprio significado. O não-objeto representa a si mesmo.

abstração geométrica em sala








 

desenhos na praça da liberdade












 

terça-feira, 14 de abril de 2026

composição abstrata com objetos em casa: behind the scenes

 

composição abstrata com objetos em sala: behind the scenes

   
 























sobre o drops objetos

 Muito interessante (desculpa, tô morrendo de sono).

sobre "a ficção como cesta: uma teoria"

 

"A ficção como cesta: uma teoria", de Ursula K. Le Guin

"As imagens dos caçadores de mamutes ocuparam espetacularmente as paredes das cavernas e o imaginário, mas o que nós realmente fizemos para permanecer vivos e saudáveis foi coletar sementes, raízes, brotos, botões, folhas, nozes, frutos, frutas e grãos, além de insetos e moluscos e pássaros, peixes, ratos, coelhos e outros pequenos animais que provêm proteína e podem ser capturados com redes ou armadilhas simples."

O texto se inicia com uma contextualização da vida comum pré-histórica, carente de grandes e gloriosas caças à mamutes realizadas com lanças afiadas. Esta carência de grandes emoções é tida como a causa do equívoco sobre o primeiro dispositivo cultural, o primeiro objeto. No imaginário popular (2001: Odisseia no Espaço), existe a imagem do homem (Homem-Macaco) matando com um objeto perfurante (osso) e a crença neste momento como o marco inicial da evolução humana. No entanto, é mais provável que o primeiro objeto tenha sido uma cesta, utilizada para guardar a colheita, a caça, a criança ou até mesmo as armas. Essa teoria é chamada de Carrier Bag Theory.

"Querendo ser humana também, procurei por evidências de que de fato eu era; mas se aquilo era o necessário para sê-lo, fazer uma arma e matar com ela, então, evidentemente, ou eu era um ser humano muito defeituoso, ou nem mesmo humana eu era. É isso mesmo, eles disseram. Uma mulher é o que você é."

A autora pontua que a história da lança, ícone da violência, como marco inicial da evolução humana deixa de lado uma parte crucial da civilização: as mulheres. A história do Herói humano que mata o mamute e perde a sua família inteira no processo é masculina, e deixa perguntas: O que as mulheres são? Onde estão? O que estavam fazendo?No entanto, a história da cesta é universal, afinal, todos precisamos carregar e guardar coisas. Além disso, nem todo homem pré-histórico matava um mamute por dia. 

É um texto muito bom.

sobre "animação cultural"

 

"Animação Cultural", de Vilém Flusser


O Supremo Conselho Revolucionário encarrega à Mesa-Redonda (que é também a narradora do texto) a tarefa de elaborar uma Declaração dos Direitos Objetivos. Por isso, ela convoca uma reunião dos objetos para discutirem os fundamentos filosóficos da Objetividade e a sua posição em relação aos humanos. A Mesa afirma que os objetos são superiores aos humanos sob o argumento de que eles constituem a cultura, e que eles devem ter autonomia própria. Para atingir esse objetivo, ela diz que eles devem desvalorizar a cultura e tornarem-se animadores dos humanos, isto é, fazer com que eles vivam em função dos objetos (nesse quesito, ela parabeniza os objetos tecnológicos por seu trabalho).

É interessante como a autora do texto pontua algo que passa despercebido por quase todas as pessoas: nós, seres humanos, estamos cada vez mais vivendo em prol de objetos. Trabalhamos a maior parte da nossa vida para adquirí-los e julgamos a nossa felicidade com base no "ter-ou-não-ter". De certa forma, estamos sendo "animados" por eles.

zine hertzberger: fabulações brasileiras


Zine







Colagens





























Imagens originais





Por trás de cada colagem

"Colagem vermelha"

Foi feita a partir de uma colagem do Grupo G. Eu trouxe de volta o fundo amarelo que eles escolheram não usar e deixei as crianças em preto e branco, igual o senhor que está sentado em uma cadeira. Também coloquei um templo japonês no caminho central da imagem e adicionei uma rua ao lado dele, na qual eu coloquei um  carro e dois ciclistas. Quis criar um espaço que pertencesse às pessoas, que elas pudessem ocupar.

"Colagem Rio Chico"

Não foi feita a partir de uma colagem; foi inspirada pela intervenção artística "Entre Rios e Ruas", de Isabela Prado. Eu queria imaginar uma Belo Horizonte que respeitasse os rios e córregos naturais que percorrem o seu território, mas seria muito difícil identificar cada um deles corretamente na foto e encontrar imagens de como eram antes, então decidi inserir o Rio São Francisco no meio da Grande BH.

"Colagem Final"

Não foi feita a partir de uma colagem, mas foi inspirada por uma que o Grupo B fez. Eu comecei com uma foto do CCBB e adicionei várias janelas em estilo colonial e a fachada do Teatro Municipal de BH à parede central da foto, depois, tentei adicionar fachadas modernas às outras paredes, mas não deu certo. Portanto, resolvi colocar o "Prédio Verde da Liberdade" e o Museu da Moda nos lados restantes. Quando vi a colagem do Grupo B, resolvi colocar um céu rosa na colagem. De início, eu queria representar fachadas hertzbergianas, no final, queria acabar a colagem.

Colagem Abstrata

A abstração pode ser interpretada como a remoção de tudo o que não é necessário. No suprematismo, é a busca por uma forma absoluta, a criação pura em arte. E o que seria mais puro e absoluto que o nada? Removendo o que não é necessário, não é inevitável que se chegue a uma tela em branco? A tela em branco é, portanto, a mais perfeita abstração.

Capa e Contracapa



É uma junção de elementos das três colagens emoldurada por texturas de palha e areia. Queria trazer na capa elementos construtivos brasileiros.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

projeto 1B - mão (>15min)


 Esta é a segunda autocrítica do segundo desenho que fiz para o exercício do livro "Keys to Drawing", do Bert Dodson



  • Você observou o objeto tanto quanto observou seu desenho?
Sim, na medida do possível. O objeto se mexia muito.
  • Você tentou desenhar "às cegas" pelo menos três ou quatro vezes?
Tentei, mas quando eu voltava a olhar para o objeto ele já havia mudado de posição.
  • Você tentou "repetir"?
Tentei. Tive que repetir muito.
  • Em sua opinião, o desenho contém contornos e detalhes precisos que se assemelham ao que você observou?

Sim, os contornos e detalhes do desenho se assemelham ao objeto que eu vi.

colagens hertzberger: behind the scenes

 

Grupo C

Carolina Nogueira
Clara Bayer
Lara Braga
Pedro Rodrigues
Olívia Novy
Yasmin de Melo Costa

Behind the Scenes


Nós decidimos que o melhor jeito de fazer o trabalho seria compartilhar
elementos para as colagens entre todos, mas fazê-las individualmente e escolher três para a entrega do trabalho por meio de uma enquete.



Comecei fazendo esta colagem mas fiquei sem ideias de como continuar, então a deixei de lado e comecei a fazer outra, pensando no conceito de "criar um espaço por meio da colagem".


Escolhi a Praça da Estação como o espaço que eu queria transformar segundo o livro de Hertzberger. Coloquei uma grande Oiti na praça para torná-la mais convidativa (além de agradável aos olhos) e para que os passantes tenham bastante sombra. Com o aumento do fluxo de pessoas, aumentaria também o número de comerciantes que frequentam a praça, como indicado pelo comerciante de bebidas na colagem.


Segundo os princípios hertzbergianos, o desnível criado pela base da escultura no meio da praça deveria ser utilizável para diversos propósitos. Por isso, coloquei um trio de senhores conversando nele (imagine que a base em volta da escultura é quadrada). Também coloquei um casal comendo à uma mesa de plástico aos pés da árvore, sob a sombra da árvore.


Por fim, coloquei mais mesas e banquinhos de plástico aos pés da árvore e mais senhores e senhoras conversando na base da escultura.

sobre as exposições "Tecituras femininas" e "Meme"

 

Tecituras Femininas


A exposição de Marlene Barros tinha uma atmosfera bem pesada. Me deu muita gastura ver os rostos costurados e fiquei bem incomodada ao ver os órgãos que ela crochetou. Foi uma exposição "sem filtros"; ela fez figuras femininas em posições extremamente vulneráveis, e diversos comentários (críticas) sobre as vivências femininas em um mundo machista por meio das fibras (costura, crochê, bordado), que foram utilizadas como representações do feminino, conectadas a ele.
O clima pesado se dissipou quando as meninas da nossa turma se juntaram na sala que tinha no final e começaram a costurar e crochetar, acidentalmente confirmando a conexão feminina com as artes têxteis. Gostei dessa parte; das outras, nem tanto.

Meme


A exposição sobre a Memeficação do Brasil tinha uma atmosfera bem diferente da primeira. Ela se iniciou com um estudo linguístico dos memes, depois, o foco foi os comportamentos típicos da internet, e então o foco foi no uso do humor como ferramenta anti-censura. Por fim, a exposição apresentou reflexões sobre os problemas que o humor dos memes esconde, e terminamos o trajeto em um pátio tomado por diferentes espécies de "alisa meu pelo".
Alguns memes eram extremamente atuais, e outros eram tão antigos que nem tinham mais graça. Mas foi muito interessante ver algo que é tão cotidiano para mim sendo exposto em um museu.

sobre as exposições "Giramundo" e "Bitita"

 

Não fui às exposições e elas já se encerraram, então não tenho o que dizer sobre elas.

sobre "teoria do não-objeto"

  "Teoria do não-objeto", Ferreira Gullar "[...] sem nome, o objeto é impenetrável, inabordável, clara e insuportavelmente ex...